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Falando baboseiras

 Quem tem filhos, sabe. Eles tem suas fases e umas são mais chatas que outras, ou mais difíceis. E por pior que ela pareça ser, um dia acaba. Falando assim parece até simples mas não é, colega mãe desesperada, não é mesmo! Tem a fase das cólicas, do nascimento dos dentes, do desfralde, desmame, oral, anal (sei que é horrível mas é isso mesmo) entre muitas outras que não tenho certeza se quero conhecer. Digo isso porque existem anjos que não enlouquecem a mamãe com cólica, outras decidem que não querem mais seus peitos e pronto, acabou (maravilha, não é?!) mas eu, que nasci sortuda – ha ha, brincadeira – passei por tudo isso como uma avalanche de emoções desenfreadas. Para não enlouquecer e ser abandonada pela família, eu lia sobre o assunto por isso vim aqui falar sobre a fase que já está me enchendo as sacolas (agora a minha fase é trocar os palavrões por outros tipos de palavras).

A chatice da fase besteirol já deu o que tinha que dar, mas ela continua…continua…continua e parece que não tem mais fim. João acha que falar peido, bunda, cocô fedorento soam engraçado e sabe que isso causa um efeito na pessoa que ouve e ele definitivamente quer causar. Tudo bem vai, ele soltou um cocô “fedolento” aqui em casa enquanto estávamos brincando juntos e eu achei engraçado, dei uma risadinha e bastou para que ele pensasse “ah, que legal, fiz a mamãe dar risada”. Então começou a repetir incessantemente na minha cabeça ansiando aquela mesma reação e não é nada engraçado quando estou sentada num restaurante com o garçom olhando pra minha cara, ou numa loja, no elevador, no médico, na casa da amiga que tem o filho mais santo do mundo….e só isso não basta, o menino tem criatividade: cabeça de fedor, cara de xixi, bunda de cocô podre fazem parte do repertório. Quanta beleza!

Sem saber que rumo tomar, porque ficar brava não estava adiantando, fui ler sobre o caso e descobri coisas bem interessantes mas sem efeitos rápidos. Isso significa que ainda tenho algum tempo pela frente…e foi legal saber que não preciso brigar nem colocar de castigo ou me descabelar, preciso ignorá-lo, mudar de assunto, tirar o foco da “conversa” sem demonstrar sentimentos negativos ou positivos. Com isso em mente lá vamos nós, num dia qualquer, tomar um sorvetinho, refrescar, curtir um pouco…fomos muito bem atendidos e quando estávamos de saída a simpática atendente disse “tchau, obrigada” e o João, sem pensar duas vezes, rapidamente lança “tchau, cocô fedolento”. É, eu queria entrar num buraco, sair correndo gritando que nem louca, sei lá…só sei que não sabia onde enfiar minha cara! Com um sorriso amarelo peço desculpas e vamos embora.

Depois desse acontecimento conversei com ele seriamente e disse sobre a existência de palavras que são desagradáveis e não devem ser ditas em qualquer lugar. O fato é que, aparentemente, ele entendeu o recado mas continua falando baboseiras em casa. Quando estamos na rua raramente ele solta e, se por acaso acontece, lanço aquele olhar 57 fatal e já resolve o problema. Portanto, aqui estou eu esperando, ignorando e “mudando o foco” até o dia em que ele finalmente vai se tocar que falar cara de xixi não é tão legal quanto parece…

E você, em que fase está?

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