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Valeu a pena?

wonder    Há um tempo reflito sobre os atributos que vem junto com a palavra “Mãe”, e só de pensar fiquei cansada. Sim, nós mulheres e mães estamos sobrecarregadas e nos cobrando demais. Digo isso porque ouço e leio muito sobre mamães que estão exaustas da rotina do dia a dia, com tantas cobranças no trabalho e a cobrança pessoal dentro de casa. Não é fácil.

Eu divido meu tempo entre casa, filho, trabalho, marido e tento não perder a linha. Me cobro diariamente porque as tarefas parecem não ter fim e eu quase nunca consigo acabar o dia sem deixar algo para depois. Cresci numa casa onde tudo deveria estar limpo e em ordem, isso reflete diretamente em mim e fico pra perder o juízo porque minha casa nunca fica organizada como eu gostaria. Mas essa semana, meu filho de quase 4 anos me deu um choque de realidade com uma única pergunta – “Mamãe, você pode brincar comigo ou tem que lavar a louça?” Caramba, estamos mesmo perdendo a infância dos nossos filhos para os afazeres diários sem fim?

Fiquei tão chateada por ouvir isso dele que comecei a pensar no tempo que eu doava pra sentar com ele no chão, brincar, rolar, esquecer do mundo…chorei. Não está certo tanta neurose com a casa enquanto o filho cresce e você nem vê, não está certo se preocupar demais com o cesto de roupas explodindo, a louça suja na pia, o pó que não deu tempo de tirar…um dia vamos dessa pra melhor e eu te pergunto: “valeu a pena?”

Claro que ninguém quer viver na bagunça mas será que tanta arrumação é mais importante do que o tempo que realmente doamos pra brincar com nossos filhos? Por isso decidi mudar. Não quero morrer e me arrepender porque escolhi lavar a louça do que assistir um desenho abraçadinha com meu filho, não quero mesmo!

Mulher guerreira, batalhadora, que mata um leão por dia pra dar conta de tudo, PARE! Nossos filhos querem amor, atenção e muitas risadas gostosas com a mamãe. Quantas vezes seu filho te chamou pra brincar e você disse “agora não” porque estava arrumando a casa? Responda sinceramente pra você mesma e tente não chorar. Como, normalmente, é a mulher que faz tudo em casa, troque um pouco suas prioridades. Brinque, dance, assista desenho, ria com ele, faça cócegas, role na grama sem vergonha, balance com ele no parque, pule, viva, participe e faça tudo valer a pena!! ❤ muito amor pra todas nós.

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Pé na estrada e no avião

Todos concordam que viajar é uma delícia. Sair um pouco da rotina, respirar outros ares (mesmo que poluído), esquecer um pouco dos compromissos e, no meu caso, ficar perto da família. Mas nem tudo são mil maravilhas quando você tem um menino curioso, bagunceiro e destruidor pra (tentar) domar.
Tudo começa na arrumação das malas, hoje em dia já tenho mais prática mas é a parte mais complicada. O que levar, o que não levar…ajuda bastante fazer uma listinha alguns dias antes porque assim você vai lembrando e anotando. Minhas coisas são o de menos, quase não carrego nada. Faço uns conjuntos e pronto. Já as coisas do João ocupam mais da metade da mala. Precisa levar conjuntos de frio, de calor, tênis, sandália, chinelo, toalha, sabonete, cobertinha, gorro, remédios pra eventualidades, termômetro, brinquedos…e a pior parte de tudo isso é não esquecer nada na hora de voltar, porque eu sempre vou tirando da mala e espalhando por onde passo.
Depois vem a parte que me deixa mais ansiosa, o longo caminho até o destino. Veja bem, meu filho é extremamente curioso e agitado, entrar em um avião e fazê-lo ficar sentado nas estreitas poltronas sem incomodar ninguém durante uma hora e meia é tarefa para o MacGyver. Mas eu tenho uma carta na manga, como temos uma rotina estruturada faço uma alteração, deixo ele sem dormir a manhã toda, dou almoço e na hora da viagem (geralmente escolho o voo das 14hs) ele está tão exausto que depois da decolagem já capota. Assim garanto uma viagem tranquila para mim, para ele, para os passageiros e toda a tripulação.
    Na nossa rápida estadia em São Paulo o João quebrou uma taça de cristal, um telefone, derrubou vinho na toalha branca, abraçou, beijou, bateu, chutou, puxou cabelo, mordeu o primo Lucas e fez muita, mas muita bagunça na casa da minha irmã que, aliás, tem dois filhos, um de 6 anos e outro da idade do João, um ano e oito meses. Hoje entendo o que Drummond queria dizer com a frase “o silêncio é ouro”.

A malinha
Eu e os garotos

 

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Santa Paciência

Toda mulher sabe que a progesterona e o estrogênio sofrem constantes variações em nosso dia a dia e, para não matar ninguém ou não enlouquecer, nos resta apenas o auto controle. Mas com um filho sapeca, curioso e destruidor por perto fica um pouco mais difícil.
Eu amo meu filho mais do que qualquer outra coisa que existe ou venha a existir, só que ás vezes tenho vontade de bater com a minha cabeça na parede. Tá bom, foi meio exagerado mas quero que você entenda a gravidade da situação. Meu anjinho realmente me tira do sério e eu, diariamente, preciso respirar e contar, respirar e contar.
Enquanto tento preparar o almoço ou a janta (geralmente sozinha com ele em casa) tenho que ir verificar, quase a todo instante, o que o menino anda aprontando. Tem dias que ele só está se olhando no espelho e se descobrindo, outras vezes está brincando com um brinquedo ou sentado na motoca imaginando dirigir, creio eu.
Mas isso, cara leitora, são provavelmente 5 dias em 1 mês. Os outros 26 ele se ocupa em enlouquecer meus queridos hormônios. Duvida? Então segue a lista dos 10 afazeres preferidos do João:
1. Abrir o guarda roupas e tirar TUDO o que sua mão alcançar;
2. Pegar minha bolsinha de maquiagem e sair pela casa jogando tudo o que tem dentro;
3. Ligar e desligar a televisão até a hora em que eu chego dando bronca;
4. Virar a mamadeira de cabeça para baixo e fazer uma trilha de leite pela casa;
5. Tudo o que alcança em cima da pia dá para o cachorro comer (veja bem, vai de cebola a tampa de liquidificador);
6. Jogar comida no chão, nos cabelos e em mim;
7. Peidar e rir;
8. Dar os brinquedos para o cachorro mastigar (perdi as contas de quantos já se foram);
9. Abrir e fechar com força as portas;
10. Abrir a boca para comer e, em seguida, cuspir a comida.
Tudo bem, você está aí pensando “só isso? é tranquilo…”. Não é tranquilo quando você tem zilhões de coisas para fazer no dia a dia. A comida não surge por feitiço, as roupas não se lavam sozinhas e muito menos se passam, a casa não fica limpinha por 15 dias depois que a diarista vem e eu ainda preciso trabalhar fora.
A paciência é uma Santa e eu oro para ela TODO SANTO DIA porque o melhor ainda está por vir.

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Brinquedo pra quê?!

O João tem 14154 brinquedos, ou seja, muito mais do que uma criança precisa e brinca com…3! O restante das brincadeiras envolvem minhas panelas, colheres de pau, tampas, vasilhas, revistas, CDs e tudo que NÃO for brinquedo e estiver ao alcance de suas mãozinhas.
Hoje enquanto preparava o almoço percebi um certo silêncio – silêncio em uma casa que há criança pequena nunca é um bom sinal – e fui sorrateiramente atrás da cria. Cheguei no quarto dele, olhei e fiquei uns 2 minutos rindo com ele olhando pra mim com aquela cara “mamãe, eu sei que você é meio doida mas, que tá rolando?”
Lá estava ele com uma peneira na cabeça – que, aliás, serviu perfeitamente – e uma colher de pau super concentrado em mexer seus carrinhos dentro da caçamba de um caminhão. Infelizmente, devido ao meu ataque de riso, não consegui pegar o celular a tempo pra tirar uma foto da cena completa. O que consegui foi um menino com uma peneira na cabeça com uma cara de “não entendi a graça”.
E entre um “não, João” e “saí daí, João Pedro”, terminei o almoço pensando por que raios o menino gosta tanto desse tipo de brincadeira. Óbvio. O que ele me vê fazer todo santo dia?! Bom, quem sabe eu terei um grande chefe de cozinha, assim inverteremos os papéis.

O chapéu de peneira