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Mais respeito, por favor!

Acho que toda mãe (e talvez o pai também) sabe que as crianças são esponjinhas ambulantes, absorvendo tudo que ouvem e vêem poraí. Claro que a maior parte dessa absorção vem da própria casa e da escola, lugares onde a criança passa mais tempo. Quando, sem querer, soltamos alguma palavrinha feia e eles imediatamente repetem é horrível, não é?! Por isso faço um esforço para que meu pequeno João não saía de casa falando coisas horríveis e/ou preconceituosas.

Como é que é? Preconceituosas?!

Isso mesmo, preconceito. Nós, adultos, temos nossa opinião formada e sabemos exatamente o que gostamos ou não, mas nossas crianças que ainda estão aprendendo sobre as várias formas de viver a vida precisam entender que cada um é de um jeito e cabe a nós respeitar as escolhas do próximo, mesmo não concordando. A primeira vista parece uma coisa muito complexa para uma criança de 1 ano, mas é assim que começa. Um exemplo é o caso daquela garotinha de cabelos crespos – e lindos, por sinal – que com apenas 2 anos já deve pensar “meu cabelo é ruim, precisa ser alisado pra eu ficar bonita”. Triste, mas é real. Não culpo a mãe, que provavelmente pensa assim também… e não quero julgar ninguém porque diariamente somos bombardeados e manipulados pela mídia que insiste em nos dizer o que é certo, bonito…

Porém vim aqui pra contar o que aconteceu comigo. Tenho vizinhos novos, incluindo duas crianças – um menino de quatro anos e uma menina de dois – João acabou fazendo amizade com o garoto e hoje ele veio na minha casa pra brincar. Enquanto estava no quarto com eles, o vizinho solta “meu pai disse que mulher que tem tatuagem é piriguete” (pra quem não me conhece, devo ter por volta de 30 tattoos). Gente, como assim?! Fiquei horrorizada, triste, brava, chocada, mas eu apenas disse “seu pai está completamente errado”. Olhei para o João e percebi que ele não entendeu o que o colega disse porque ele nem sabe o que é ser uma piriguete (aliás, nem o garoto deve saber) mas o fato é que quando expomos nossa opinião devemos ser extremamente cuidadosos para que não soe como preconceito. Pra minha felicidade João me defendeu dizendo que gosta de tatuagens.

Não precisamos concordar com tudo, apenas respeitar. Sempre que tenho oportunidade falo com João sobre isso, normalmente começo com o exemplo do vegetarianismo porque conhecemos pessoas vegetarianas, veganas e convivemos com onívoros normalmente, cada um respeitando a escolha do outro. Hoje disse pra ele que existem pessoas que gostam de tattoos e outras não. Aos poucos ele vai tendo consciência que cada um gosta de uma coisa e que ele não precisa necessariamente ser igual, mas sim ser feliz.

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Falando baboseiras

 Quem tem filhos, sabe. Eles tem suas fases e umas são mais chatas que outras, ou mais difíceis. E por pior que ela pareça ser, um dia acaba. Falando assim parece até simples mas não é, colega mãe desesperada, não é mesmo! Tem a fase das cólicas, do nascimento dos dentes, do desfralde, desmame, oral, anal (sei que é horrível mas é isso mesmo) entre muitas outras que não tenho certeza se quero conhecer. Digo isso porque existem anjos que não enlouquecem a mamãe com cólica, outras decidem que não querem mais seus peitos e pronto, acabou (maravilha, não é?!) mas eu, que nasci sortuda – ha ha, brincadeira – passei por tudo isso como uma avalanche de emoções desenfreadas. Para não enlouquecer e ser abandonada pela família, eu lia sobre o assunto por isso vim aqui falar sobre a fase que já está me enchendo as sacolas (agora a minha fase é trocar os palavrões por outros tipos de palavras).

A chatice da fase besteirol já deu o que tinha que dar, mas ela continua…continua…continua e parece que não tem mais fim. João acha que falar peido, bunda, cocô fedorento soam engraçado e sabe que isso causa um efeito na pessoa que ouve e ele definitivamente quer causar. Tudo bem vai, ele soltou um cocô “fedolento” aqui em casa enquanto estávamos brincando juntos e eu achei engraçado, dei uma risadinha e bastou para que ele pensasse “ah, que legal, fiz a mamãe dar risada”. Então começou a repetir incessantemente na minha cabeça ansiando aquela mesma reação e não é nada engraçado quando estou sentada num restaurante com o garçom olhando pra minha cara, ou numa loja, no elevador, no médico, na casa da amiga que tem o filho mais santo do mundo….e só isso não basta, o menino tem criatividade: cabeça de fedor, cara de xixi, bunda de cocô podre fazem parte do repertório. Quanta beleza!

Sem saber que rumo tomar, porque ficar brava não estava adiantando, fui ler sobre o caso e descobri coisas bem interessantes mas sem efeitos rápidos. Isso significa que ainda tenho algum tempo pela frente…e foi legal saber que não preciso brigar nem colocar de castigo ou me descabelar, preciso ignorá-lo, mudar de assunto, tirar o foco da “conversa” sem demonstrar sentimentos negativos ou positivos. Com isso em mente lá vamos nós, num dia qualquer, tomar um sorvetinho, refrescar, curtir um pouco…fomos muito bem atendidos e quando estávamos de saída a simpática atendente disse “tchau, obrigada” e o João, sem pensar duas vezes, rapidamente lança “tchau, cocô fedolento”. É, eu queria entrar num buraco, sair correndo gritando que nem louca, sei lá…só sei que não sabia onde enfiar minha cara! Com um sorriso amarelo peço desculpas e vamos embora.

Depois desse acontecimento conversei com ele seriamente e disse sobre a existência de palavras que são desagradáveis e não devem ser ditas em qualquer lugar. O fato é que, aparentemente, ele entendeu o recado mas continua falando baboseiras em casa. Quando estamos na rua raramente ele solta e, se por acaso acontece, lanço aquele olhar 57 fatal e já resolve o problema. Portanto, aqui estou eu esperando, ignorando e “mudando o foco” até o dia em que ele finalmente vai se tocar que falar cara de xixi não é tão legal quanto parece…

E você, em que fase está?

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Valeu a pena?

wonder    Há um tempo reflito sobre os atributos que vem junto com a palavra “Mãe”, e só de pensar fiquei cansada. Sim, nós mulheres e mães estamos sobrecarregadas e nos cobrando demais. Digo isso porque ouço e leio muito sobre mamães que estão exaustas da rotina do dia a dia, com tantas cobranças no trabalho e a cobrança pessoal dentro de casa. Não é fácil.

Eu divido meu tempo entre casa, filho, trabalho, marido e tento não perder a linha. Me cobro diariamente porque as tarefas parecem não ter fim e eu quase nunca consigo acabar o dia sem deixar algo para depois. Cresci numa casa onde tudo deveria estar limpo e em ordem, isso reflete diretamente em mim e fico pra perder o juízo porque minha casa nunca fica organizada como eu gostaria. Mas essa semana, meu filho de quase 4 anos me deu um choque de realidade com uma única pergunta – “Mamãe, você pode brincar comigo ou tem que lavar a louça?” Caramba, estamos mesmo perdendo a infância dos nossos filhos para os afazeres diários sem fim?

Fiquei tão chateada por ouvir isso dele que comecei a pensar no tempo que eu doava pra sentar com ele no chão, brincar, rolar, esquecer do mundo…chorei. Não está certo tanta neurose com a casa enquanto o filho cresce e você nem vê, não está certo se preocupar demais com o cesto de roupas explodindo, a louça suja na pia, o pó que não deu tempo de tirar…um dia vamos dessa pra melhor e eu te pergunto: “valeu a pena?”

Claro que ninguém quer viver na bagunça mas será que tanta arrumação é mais importante do que o tempo que realmente doamos pra brincar com nossos filhos? Por isso decidi mudar. Não quero morrer e me arrepender porque escolhi lavar a louça do que assistir um desenho abraçadinha com meu filho, não quero mesmo!

Mulher guerreira, batalhadora, que mata um leão por dia pra dar conta de tudo, PARE! Nossos filhos querem amor, atenção e muitas risadas gostosas com a mamãe. Quantas vezes seu filho te chamou pra brincar e você disse “agora não” porque estava arrumando a casa? Responda sinceramente pra você mesma e tente não chorar. Como, normalmente, é a mulher que faz tudo em casa, troque um pouco suas prioridades. Brinque, dance, assista desenho, ria com ele, faça cócegas, role na grama sem vergonha, balance com ele no parque, pule, viva, participe e faça tudo valer a pena!! ❤ muito amor pra todas nós.

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Na escola, na lancheira

Hora do lanche!!

Hora do lanche!!

Não há desculpas para tanto abandono. Uns me perguntam “você desistiu do blog?” ou “poxa, gostava tanto dos seus posts, pena que você não escreve mais”. Eu gostaria de ter mais tempo, tanto para o blog quanto para mim mas a vida não anda corrida, ela tá correndo mesmo e muito rápido.

João completou 3 anos e eu, finalmente, já não preciso mais comprar fraldas. A cada dia que passa me orgulho mais da pessoinha esperta, curiosa e falante que tenho em casa. Na última reunião escolar que fui só ouvi elogios e isso me deixou muito feliz, claro! Acompanho tudo o que acontece na escola e seguro as lágrimas quando aquela mãozinha escreve a letra “J” ou os números “1, 2 e 3”.

E já que estou falando de escola, quero aproveitar para comentar sobre o lanche. Como todo mundo já sabe minha família é vegetaria e, por sorte, ninguém torceu o nariz quando anunciei nossa escolha alimentar. Pelo contrário, eles foram muito simpáticos e se preocuparam em me ouvir. Deixei tudo muito claro e disse que sempre mandaria um lanche para o João.

Quem me deu mais trabalho foi o pequeno porque ele via as crianças comendo coisas diferentes e sempre me pedia, “mãe, quelo salgadinho”, “mãe, quelo cachorro quente”. Na minha casa sempre conversamos bastante e eu nunca enrolei o João sobre esse assunto, sempre digo a verdade. Então o jeito foi dar uma inovada no cardápio da lancheira para que as outras crianças tenham vontade de experimentar o lanche dele e não vice-versa.

Mando sempre suco natural ou aqueles integrais de uva , alguma oleaginosa (castanha do brasil, amêndoa e pistache são os mais pedidos), um danoninho porque eu também não sou nenhuma megera radical e invento sanduichinhos com pão de forma porque bisnaguinha ele deixou claro que não quer. Ás vezes vai uma fruta que ele adora como mexerica, morango ou goiaba por exemplo.

A última novidade foram os bolinhos de arroz com pesto, receita da Bela Gil que vi no programa Bela Cozinha, no GNT. Fáceis e apetitosos! Mudei duas coisas na receita: não usei arroz integral, foi o branco mesmo e não coloquei o parmesão ralado. As receitas no site são super bacanas pra quem quer fazer algo diferente e melhorar a qualidade da alimentação.

E agora um viva para o retorno do Pé de Feijão!!

 

 

 

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Pra tudo tem hora

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Confesso que as coisas não têm sido muito fáceis. João no auge dos seus dois anos tenta dominar tudo e eu tento, ou melhor, continuo tentando manter a elegância. Passamos por muita coisa nesse tempo em que o pé de feijão ficou desatualizado. A falta de tempo, o cansaço físico (e mental) eram barreiras que me bloqueavam pra escrever, enfim….João desenvolveu super bem a fala, tanto que só para quando está dormindo, entrou no maternal e está cada vez mais esperto. Sinceramente, não vejo a hora dos “terríveis dois anos” irem embora e começar uma nova fase. Espero profundamente que seja um pouco mais tranquila (otimismo sempre!).

Ele é um menino bem ativo e sempre está disposto a fazer alguma atividade. Descobriu que pode ser mais independente e quer fazer tudo sozinho, mesmo não conseguindo. Tem uma personalidade fortíssima, teimoso e tudo tem que ser na hora que ele quer e pronto! E é sobre isso que quero focar hoje, como ensinar nossos pequenos a esperar a hora certa.

Desde bebezinho, o João tem uma rotina que hoje é baseada em acordar, comer, ir para a escola, voltar para casa, tomar banho, comer, dormir, comer, brincar, brincar, destruir alguma coisa, comer, tomar banho e ir pra cama! Então, inconscientemente ele sabe que tem hora pra tudo e eu uso essa nossa rotina como referência quando preciso explicar que “agora não”, sem ele ficar tão irritado.

Há um tempo, repito sempre a mesma coisa quando não posso atendê-lo no momento solicitado ou quando não é hora de fazer alguma coisa. No começo ele ficava super bravo, gritava e queria por tudo nesse mundo que fosse atendido naquele momento, então a mamãe aqui dizia “João, eu sei que você quer, mas agora não dá. Nós temos a hora do almoço, certo? Temos a hora de tomar banho e de dormir, certo? Então, pra tudo tem a hora certa, você pode esperar?”  Depois de um tempinho, ele sempre se acalmava e esse tempinho está se reduzindo dia após dia.

    Percebi que fazer uma pergunta a ele era como se fosse um desafio, “você pode esperar? você consegue?” E funcionou, minha gente!! Claro que às vezes precisamos negociar algumas coisas, mas o mais importante é poder sentir que ele, aos pouquinhos, está aprendendo a esperar e a ser mais paciente. E eu, vou aprendendo junto.

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A loja, os brinquedos, o furacão

birra-capa    No dia da Proclamação da República fui com meus sogros e o pequeno João conhecer uma nova loja de departamentos aqui em Anápolis e, como eu estava de bom humor, decidi comprar um presentinho pro destruidor. Enfim, chegamos na tal loja e fomos direto para a seção de brinquedos, que mais parecia um parque de diversões, e logo vi uma singela plaquinha no meio das motocas, motinhos e bicicletinhas coloridas que dizia “favor não mexer no mostruário”, mas aparentemente nenhum papai e mamãe havia lido o aviso e seus pequerruchos testavam tudo que tinham direito.
Pensei “bom, já que todos estão mexendo vou deixar o João brincar também”, afinal de contas como ia explicar que era proibido sendo que TODAS as crianças estavam atacando tudo? Passados uns 10 minutos chega um funcionário e coloca todos em seu devido lugar, menos o João. Ele não conseguia aceitar o fato que antes “podia” e agora “não pode mais”.
Claro, ele ficou frustrado e inconsolável, chorava, gritava…um escândalo só e eu, tentando com todas as forças manter meu auto controle, calmamente abaixei e pedi que ele me escutasse “querido, a mamãe sabe que você tá chateado e quer brincar nos carrinhos mas o rapaz disse que não pode porque eles estão a venda”. Assim que terminei meu discurso, com o funcionário atrás de mim como se fosse um encosto ele começou a gritar mais alto ainda.
Tentei distraí-lo falando para irmos escolher um brinquedo que eu pudesse pagar…sem conversa. Tentei fazê-lo se acalmar repetindo o discurso mas nada…e o encosto lá atrás de mim. No fim não entramos em um acordo, não conheci a loja direito, não comprei o presente (óbvio) e saímos todos chateados.
Fiquei me sentindo super mal por não conseguir fazê-lo entender a situação, mas é dureza para uma criança de 2 anos aceitar que uma hora pode e dois minutos depois não pode. Bom, eu não deveria tê-lo deixado brincar desde o começo, mas era praticamente impossível com tantas crianças mexendo em tudo e minha sogra o incentivando.
Passei o fim de semana refletindo sobre esse tipo de passeio com o João, preciso de muito mais auto controle e serenidade para conversar com ele sobre esse comportamento que eu acho inaceitável. Quando chegamos em casa disse que ia ter castigo e como meu marido estava viajando (quando ele viaja, dormimos juntos) o puni com uma noite solitária no berço e sem beijo de boa noite. Será que adianta?!

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O telefone tocou novamente

OK, confesso. Sempre que posso dou aquela olhadinha básica no celular….facebook, instagram e todas as maravilhas do mundo da internet. Comecei a pensar sobre isso porque meu telefone passou a ser um acessório indispensável na minha vida. Telefonemas, mensagens e o wi-fi (aahhh o wi-fi).
Enfim, o caso é que o sossego acabou…basta eu pegar o aparelho que o pequeno grande homem  quer mexer, quando vou atender alguma ligação e ele está por perto começa a puxar minha roupa e grita “alô! alô! alôôôôôôô!” A essa altura eu já não sei se tento ouvir a pessoa do outro lado ou se dou uns gritos com o destruidor.
Mas, como eu sou uma lady (hehehe), tenho que parar a conversa e me abaixar pra dizer  “é a mamãe que vai falar agora, João e blábláblá” e retomo a ligação. Isso só não dá certo quando eu atendo e digo “oi mamãe” ou “oi papai”, não tem jeito…ele PRECISA falar primeiro e eu tenho que lutar pela minha vez.
Isso me fez rever uns conceitos, somos escravos da tecnologia, da internet, dos jogos e nossos filhos seguem o exemplo do que vivenciam em casa. Com apenas dois anos o João sabe passar as fotos no celular, dar play e pause nos vídeos e ainda escolhe alguns da galinha pintadinha no youtube. Eu fico pasma!
E novamente, os 93 centímetros de ser humano me abre os olhos para, digamos, meu vício. É preciso dar um tempo antes que o menino ache mais importante olhar alguma atualização no face do que sair livre correndo por aí.