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"Na hora de fazer não gritou"

Meu parto aconteceu há exatos 1 ano, 9 meses e 2 dias, foi muitíssimo dolorido, sofrido e um pouco traumatizante. Desde a descoberta da minha gravidez decidi pelo parto normal por “n” motivos, dentre eles está o mais importante (na minha opinião) que é a recuperação mais rápida. Penso assim porque minha família não poderia estar presente e todos da família do meu marido trabalham, inclusive ele. Portanto eu precisava me recuperar o mais rápido possível para continuar minha vida normalmente com meu bebê.
Mas nem tudo são mil maravilhas e muitas vezes as coisas não saem como planejamos. Fiz yoga vários meses para aprender a controlar a respiração e fazia posturas para fortalecer minha lombar na hora do vamos ver. Entrei em trabalho de parto ás 10 horas do dia 26 de julho de 2011, fui para a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis e me internaram imediatamente.
Fiquei na sala de pré parto com minha sogra que estava mais nervosa do que eu e rodeada por enfermeiras que aparentavam estar ali trabalhando de graça. Nessa tal sala estavam outras mulheres, portanto, meu marido não podia entrar e, obviamente, não podia me passar aquela confiança e força de que eu tanto precisava.
As contrações estavam me matando, não conseguia ficar quieta mesmo com a desaprovação das enfermeiras que repetiam “fica quieta, o nenê não gosta de grito”. E eu pensava “cala a boca, é muita dooooor!” Depois de tanto sofrimento o coração do meu pequeno estava enfraquecendo e infelizmente não consegui a dilatação necessária para o parto normal. O jeito foi correr pra cirurgia e ás 21h15 eles arrancaram ele de mim. Tudo muito frio.
Hoje penso que se eu estivesse mais relaxada, com profissionais conversando comigo e me auxiliando, talvez eu conseguisse a tal dilatação. Eu estava assustada, com frio, muita muita muita dor e queria meu marido e minha mãe por perto.
Vim aqui compartilhar isso com vocês porque a pesquisa “Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado”, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, mostrou que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto. As mais comuns, segundo o estudo, são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta de analgesia e até negligência.
Em 2010, 81,83% das crianças que nasceram via convênios médicos, vieram ao mundo por cesarianas. Em 2011, o número aumentou para 83,8%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há ainda hospitais particulares como o Santa Joana, em São Paulo, que no primeiro trimestre de 2009 apresentou taxa de 93,18% cesarianas, segundo o  Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC).
Claro que muitas mulheres optam pela cesariana, mas creio que a maioria delas preferem o parto normal e isso é tirado delas com brutalidade. Portanto, devemos fazer o possível para se informar sobre os nossos direitos porque todas precisam receber carinho e atenção em um momento tão intenso.
Para quem quiser ler a pesquisa completa, é esse o link:
http://www.apublica.org/2013/03/na-hora-de-fazer-nao-gritou/

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Lições de um filho

Hoje cedo “conversando” com quem passava

É triste perceber que, com o passar dos anos, perdemos a verdadeira essência da infância. Com as lições da vida vamos ficando mais secos, ás vezes ranzinzas, com manias idiotas e cheios de uma confusão de sentimentos. Claro, nem todo mundo é igual, portanto, nem todo mundo se identifica com isso. Mas de uma coisa você pode ter certeza, temos muito que aprender com as crianças.
Hoje, enquanto fazia minhas tarefas diárias lembrei que de manhã mais cedo, o João conversava com alguns transeuntes que passavam por onde estávamos. Ele sempre faz isso, passa uma pessoa e ele “titiiio, titiiio” ou “tiia, tiia”. Eu não ensinei isso pra ele, até mesmo porque, como uma mãe neurótica e cuidadosa, acho perigoso criança ir falando assim com estranhos, enfim….hoje tive uma luz. Olhei pra mim mesma e pensei “poxa, ele faz isso com tanta facilidade!” Talvez alguns adultos (sóbrios) também tenham dificuldade em fazer novas amizades. Óbvio, cada um tem sua personalidade, mas o que quero dizer é que as crianças fazem tudo de uma forma tão natural e pura que até me dá vontade de chorar (momento drama).
Não importa se é velho, negro, branco, amarelo, usa roupas rasgadas, tem tatuagem, piercing, é rico, pobre, o João sempre “conversa” naturalmente, mesmo que seja um mau cheiroso morador de rua. Vamos rotulando todo mundo e nossos filhos crescem achando que pobre tem tendências a ser ladrão, que ex presidiário já não tem salvação, que viciados em drogas são zumbis que querem comer nossos cérebros e assim, começamos a tratar as pessoas pelo o que elas aparentam ser e ter ou pelo seu passado.
Tá bom, hoje estou mais pensativa. Pensando que mais um ano se passou da minha mísera existência aqui nesse mundo velho e com quem eu aprendo? Com meu filho de 1 ano e quase 9 meses. É mole?! Nesse tempinho em que estamos juntos na jornada da vida ele me mostrou que ter paciência é o melhor remédio pra tudo, que fases boas e ruins, assim como chegam, também vão embora, que devemos tratar todos como  gostaríamos de ser tratados e que vale a pena amar, sempre!

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João e sua primeira afta

 

Todo mundo pelo menos uma vez na vida sentiu na pele, ou melhor, na boca o que é ter uma afta. Dificuldades para comer, beber, dependendo do lugar é ruim até para falar e deixa muita gente de mau humor, principalmente o fofura da minha vida.
Tudo começou em São Paulo, onde passamos uma semana visitando os familiares, quando um dos primos, acidentalmente, tascou um brinquedo no rosto do João e este, por sua vez, começou a berrar instantaneamente…e lá vou eu verificar o drama da situação. Percebi um cortinho no lábio superior, então eu o peguei no colo e fui lavar o machucadinho. Logo em seguida o sangue parou e ele já estava feliz de novo. E pronto, esqueci.
Nossa volta estava marcada para o dia seguinte e foi nesse fatídico dia em que tudo começou. Parecia que um outro menino tinha acordado. Manhoso, irritado, chato, babando sem parar e o pior de tudo, sem vontade de comer. Fiquei pensando no que poderia  ter acontecido naquela noite, talvez alguém tenha trocado de corpo com meu filho durante a noite ou ele simplesmente estava agitado porque eu também estava agitada e ansiosa para a viagem de volta.
E foi assim durante a manhã, a viagem, o fim da tarde, o começo da noite e a noite. Na manhã seguinte a situação começou a piorar, nem a mamadeira ele queria mais. “Que será que esse menino tem?”, pensava eu já cheia de preocupação. Logo após o turbulento almoço entendi o que ele não conseguia me dizer, quando estava no meu colo, o pequenino levantou a cabeça e pude vê-la! A maldita afta estava lá, no lábio superior onde tinha sido o corte.
Ahhhhh então esse é o motivo de tanta irritação (e bota irritação nisso). Cheguei até a pensar que poderia ser mais um dente querendo sair mas não podia ser possível já que ele tem 16 dentes nascidos e crescidos. A solução foi um santo remedinho chamado Violeta Genciana, que mancha o que estiver pela frente e o melhor de tudo, não arde. Após 2 dias ele já estava se sentindo muito melhor, (e eu também) tomando seu leitinho e comendo bem como de costume.
Quando coisas indesejadas acontecem com nossas crianças, como doenças, resfriados, machucados e até mesmo aftas o jeito é ter muita muita paciência e dar mais carinho e atenção, já que eles ficam muito mais carentes em situações como essas. Acho que agora já estou pronta pra outra….

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Pé na estrada e no avião

Todos concordam que viajar é uma delícia. Sair um pouco da rotina, respirar outros ares (mesmo que poluído), esquecer um pouco dos compromissos e, no meu caso, ficar perto da família. Mas nem tudo são mil maravilhas quando você tem um menino curioso, bagunceiro e destruidor pra (tentar) domar.
Tudo começa na arrumação das malas, hoje em dia já tenho mais prática mas é a parte mais complicada. O que levar, o que não levar…ajuda bastante fazer uma listinha alguns dias antes porque assim você vai lembrando e anotando. Minhas coisas são o de menos, quase não carrego nada. Faço uns conjuntos e pronto. Já as coisas do João ocupam mais da metade da mala. Precisa levar conjuntos de frio, de calor, tênis, sandália, chinelo, toalha, sabonete, cobertinha, gorro, remédios pra eventualidades, termômetro, brinquedos…e a pior parte de tudo isso é não esquecer nada na hora de voltar, porque eu sempre vou tirando da mala e espalhando por onde passo.
Depois vem a parte que me deixa mais ansiosa, o longo caminho até o destino. Veja bem, meu filho é extremamente curioso e agitado, entrar em um avião e fazê-lo ficar sentado nas estreitas poltronas sem incomodar ninguém durante uma hora e meia é tarefa para o MacGyver. Mas eu tenho uma carta na manga, como temos uma rotina estruturada faço uma alteração, deixo ele sem dormir a manhã toda, dou almoço e na hora da viagem (geralmente escolho o voo das 14hs) ele está tão exausto que depois da decolagem já capota. Assim garanto uma viagem tranquila para mim, para ele, para os passageiros e toda a tripulação.
    Na nossa rápida estadia em São Paulo o João quebrou uma taça de cristal, um telefone, derrubou vinho na toalha branca, abraçou, beijou, bateu, chutou, puxou cabelo, mordeu o primo Lucas e fez muita, mas muita bagunça na casa da minha irmã que, aliás, tem dois filhos, um de 6 anos e outro da idade do João, um ano e oito meses. Hoje entendo o que Drummond queria dizer com a frase “o silêncio é ouro”.

A malinha
Eu e os garotos